para rodrigo

 

Ana Peluso

 

 

nunca saia de perto de mim

de alguma forma

 

nem fique muito distante

desse improvável palco

 

encena enigmas

trocadilhos

belezas

e torres altas

 

lembra

antes de tudo

somos eterna coragem gentil

 

forjados no espaço sem tempo

a golpes de realidade pura

 

sem esquecer que esquecer

nunca esteve grafado

no nosso dicionário

feito de nada

e quase tudo

tudo e quase nada

 

Todos os cachorros são azuis

e por isso reescrevemos poemas

contra qualquer maré

ou matilhas de vários tons

e não ouvimos um miado sequer

 

07 / julho / 2009

 

 

Ana Peluso, 1966, paulistana, sem livro, bloga no La Escena de La Memoria.
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